Espelho meu

E de tanto que eu falar, minhas palavras voltaram-se contra mim. Descobri que eu posso ser muito cruel, e que minha crueldade pode ferir profundamente. Descobri que eu sou bem diferente, quando refletida no espelho dos meus próprios olhos, e que é muito difícil olhar pra si mesmo da mesma forma que se olha pros outros.
Descobri que, o que eu vejo de dentro pra fora, ninguém vê. E que, a menos que tenham visão de raio x, esses outros não vão conseguir enxergar através da minha pele e da minha carne, não vão enxergar através da minha casca - como eu pensava que enxergariam.
Descobri que não importa o quanto as pessoas pareçam transparentes, elas nunca o serão completamente, porque elas têm medo de que, de tão transparentes, tornem-se invisíveis. E não importa o quanto sejam reservadas, sempre deixarão escapar um pouco de si, esperando que alguém perceba esse pouco e o entenda, sem que seja preciso avisos ou explicações.
Mas eu descobri, principalmente, que nenhuma das minhas descobertas são definitivas. Isso que somos são apenas afluentes. Nem mesmo nós provamos da fonte que nos rege por dentro.

10 comentários:

César Fernández disse...

"Descobri que, o que eu vejo de dentro pra fora, ninguém vê. E que, a menos que tenham visão de raio x, esses outros não vão conseguir enxergar através da minha pele e da minha carne, não vão enxergar através da minha casca - como eu pensava que enxergariam."

É, tente se mostrar mais como quer ser vista.

Mas você não é cruel e não fere ninguém. Mesmo que isso aconteça, todo amor precisa de alguma dor pra não enjoar só das coisas boas. Cruel sou eu, você jamais teria escrito isso se não fosse pelas besteiras que eu disse, desculpa.

E eu amo você.

Marcelo Mayer disse...

costumo pensar isso na hora de escovar meus dentes

Erica Ferro disse...

Adorei esse texto. Só lembrei de Clarice Lispector ao ler.
Gostei do jeito que escreves.

Somos um enigma. Aliás, tudo é misterioso e pede investigação.
Eu ainda não sei bem o que sou e o que eu quero, só sei que sou e quero. O que sou já está em mim, não sei bem aonde, mas está.
O que eu quero... bem, isso vou ter que descobrir.

Beijo.

Katrina disse...

Quase não consigo descobrir mais nada

Dandara disse...

nunca soube

Felipe Corrêa disse...

Como diria uma grande filósofa chamada bruxa da branca de neve: Espelho, espelho meu... Gosto das coisas que você escreve... hehehehe bjaum

Cristiano Contreiras disse...

Poesia, sensibilidade, harmonia..seu blog transmite-me isso, adorei! abs

Lucas; disse...

Mula Manca é fantástico;). Ainda existem nomes na moderna música brasileira, pode apostar.

Bê Matos disse...

Confesso, que levei um susto quando li o título. Porque, acabei de postar um texto com o mesmo título. HAUHAUAHUAHU ;)

Todo dia, descobrimos, re-descobrimos e (des)descobrimos coisas. Fato.

Gostei daqui. Beijão. :*

Marcos Satoru Kawanami disse...

sim, é com auto-crítica que amadurecemos e aprendemos a gostar da vida como gostávamos dela quando não tínhamos maturidade nenhuma.