Vontade de calar

Eu sempre gostei de falar. Falo pelos cotovelos, pelos joelhos, pelos olhos, pelos poros. Diria que falo tudo que penso, mas ainda seria pouco. A verdade é que tem coisas que eu digo que eu nem pensei ainda, e passo a pensar justamente porque disse.

É claro, nesta dinâmica eu já saí perdendo muitas vezes. Já disse coisas que não devia e, consequentemente, (porque tudo que vai - volta) ouvi outras que não queria. Tentei mudar isso. Tentei refletir mais. Tentei até falar pra dentro em vez de falar pra fora, mas nada deu certo. Eu precisava desta liberdade! Dar minhas opiniões mesmo que estivessem erradas, fazer suposições mesmo que não fizessem sentido. Eu precisava verbalizar não apenas pensamentos, mas sentimentos e sensações, para senti-los reais.

Acontece que tudo em excesso sobra. E acho que, de tanto falar, minhas palavras tornaram-se banais. É doloroso perceber que ninguém mais pára pra me ouvir. É como se minha voz fosse uma sopa de letrinhas que as pessoas simplesmente engolem, sem mastigar. Não importa se o que eu digo é importante ou não. Sequer percebem que entre aquele amontoado de orações subordinadas estava o meu coração.

Ao contrário do que possa parecer, eu sou uma boa ouvinte. Gosto de ouvir o que os outros têm a dizer, porque é assim eu conheço o que existe dentro deles. A voz é o instrumento que a alma usa pra cantar - as palavras são as notas -, e eu sempre me interessei por música. A minha música, porém, parece que tocou demais. Sabe aquele refrão que irrita por não sair da cabeça? É como eu me sinto. E talvez pra evitar este sentimento, tenho agora vontade de calar. Calar tudo. Todas as vozes que gritam em mim e até mesmo as dores.

Não é uma decisão, entenda, é uma vontade. Pode passar ou não. Mas agora - neste instante - a única forma de ouvir o que diz meu coração é usando um estetoscópio.

12 comentários:

thaic. disse...

chorei. me senti me olhando no espelho, bem dentro das suas letras. mas não sei me calar. e pra ser sincera, não sei se tenho vontade. acho que sou daquelas que, depois que começam, não conseguem parar. e se já estão todos assim tao cansados do que temos a dizer, é hora de arrumar novo publico. uma coisa é certa: da boca pra fora, nada. vem tudo do coração.

Insana disse...

Seu coração está além deste mero planeta?
Adorei seu texto,beijos!

Bom fds ;)

Uriálisson disse...

várias vezes quis dizer e não sabia como ou por onde,e acabava me calando,tentando prender o queria expressar.Ai tudo se bagunçava,explodia dentro de min.
belo texto!

Geladeira disse...

Moçaaa, saudade de seus escritos volte logo!

Bjs

Andre Martin disse...

Sabe qual a diferença entre CALAR e FALAR?
Veja em
http://famainfame.blogspot.com/2008/09/querncia-e-falao.html

Thaynara Kethlyn disse...

Natália, meu nome é Thaynara. Posso usar seu monólogo para um vídeo. Alias, alguns desses blogs? ADOREI. Parabéns ;)

matheus Basilio disse...

Natália, adorei seu texto, posso usá-lo para uma apresentação que irei fazer ?

Corrida Armamentista disse...

Natália, como faz pra entrar em contato com você? Adoraria poder utilizar seus textos. Parabéns.

Beto Almeida Moreno disse...

Adorei o seu blog suas palavras, sua poesia.
Belissimoooooo!

Luciana Costa disse...

Muito bom,ajudou muito
Hoje eu vou apresentar esse monólogo na minha aula de artes 😍😍😍

Anna Clara Facciolla disse...

QUE MONOLOGO MARAVILHOSOOO
PARABENS!!!!

Anna Clara Facciolla disse...

QUE MONOLOGO MARAVILHOSOOOO
PARABENS!!!!!